Austin,
um menino bom, ou não?

# Tess POV #
Entrei no ônibus sem a mínima animação, estava cansada pela noite mal
dormida, em que os momentos do ensaio de ontem irritantemente rondavam minha
mente. Tinha raiva por deixar que coisas estúpidas como essa tirassem meu sono,
sendo que o Austin provavelmente nem se lembrava mais de acontecimento nenhum.
-Muito trabalho com o blog?- Perguntei enquanto colocava minha mochila
sobre as pernas
-Mais que nunca!- Respondeu, desviando os olhos do celular pra mim por
poucos segundos, depois voltando a sua "missão"- Chegou um caso novo
ontem de noite de um garoto... É difícil meninos procurarem essas coisas- Ela
comentou
-Qual o nome?- Perguntei ocasionalmente, sem realmente interesse no
nome, apenas por que queria conversar, se não acabaria cochilando.
-Não sei ao certo, 99% das pessoas que falam comigo ou usam pseudonome
ou em anônimo- Falou sem prestar muita atenção, ela se dedicava muito ao seu
"trabalho"- Esse usou A&C pra se identificar... - Disse
-E o que ele queria?- Continuei o assunto
-Foi esquisito... Mas fofo, poderia dizer- Prestei mais atenção, gostava
das historias que ela me contava, eram de românticas até extremamente engraçadas,
mas antes que ela pudesse começar, o ônibus parou em frente ao colégio- Outra
hora eu te conto- Ela disse, enquanto nos levantávamos para descer. Passando
pelos jardins do lugar, já podíamos ver mais a frente, encostadas no corrimão
dos degraus de entrada, Elizabeth e suas amigas, ou deveria dizer, seu cardume
de piranhas.
Deixa-me explicar, Elizabeth Gillies era uma garota alta, com cabelos
pretos ondulados, pele clara e olhos azuis, quase cinzas, que diferente do que
é comum nas escolas, não é líder de torcida ou afins, ela era conhecida por ser
a presidente do clube acadêmico, metidinha a esperta, que se sentia superior a
todos, ainda mais depois que o pai virou senador. Ela era fria e dificilmente
sorria, tinha um jeito gótico, parecia que sempre estava planejando algo para
ferir alguém, a única coisa, alias, a única pessoa, que a tirava do
controle e claramente mexia com ela era nada mais, nada menos, que a paixão
platônica oficial das garotas da escola. Austin Mahone. Ela sempre fazia de
tudo para agradar ele, desde usar roupas que custavam mais que a mensalidade da
escola até fazer trabalhos e deveres de casa para ele, às vezes chegava a dar
vergonha à obsessão dela por ele, da qual ele geralmente aproveitava. E talvez
tenha ficado pior depois das férias de verão do ano passado, quando eles
começaram a namorar, depois que Austin sofreu pressão por parte dos garotos do
time dele para que a pedisse em namoro, para que Elizabeth convencesse o pai a
fazer uma quadra profissional perto da escola pra que eles pudessem chamar
times de outros lugares para competir. Depois de a verba ter sido liberada, ele
começou a evitá-la e logo terminou com ela, alegando que tinha que se concentrar
nos jogos que logo começariam, ela acreditou que eles voltariam logo e espera
até hoje, ninguém contou a ela essa verdadeira historia, poucos sabiam na
verdade, eu, por exemplo, só soube graças à boca grande do Alex.
Eu e Vic passamos por ela e, como ela sempre fazia com todas as pessoas,
nos olhou de cima a baixo com um olhar reprovador, como se o que estivéssemos
usando não passassem de trapos. Ignoramos e continuamos a entrar na escola,
ambas teríamos aula de inglês agora, então fomos até a sala. Quando estávamos entrando,
Austin, que estava correndo vindo do lado oposto ao nosso, esbarrou na Vic
quando entrou na sala apressado, ainda a sujando com um pó branco que estava
melado em sua blusa. Fermento?
-Olha por onde anda!- A defendi e só o vi virar-se pra mim e bufar, ele
parecia não ter nem sequer percebido que esbarrara em Vic, claro, ele era o
todo poderoso Austin Mahone, ninguém era mais importante que ele próprio. Não
sabia por que estava com raiva dele, apenas estava, como sempre, acho que não
precisava de motivo especifico, mesmo não sendo comigo, ele sempre estava
aprontando alguma para alguém como se fosse o maioral, e dava raiva que todos
aqui realmente o tratassem como se fosse o centro do universo. Sentei na
carteira atrás da Vic e a vi finalmente guardar o celular quando a professora
chegou
# Austin POV #
Eu tinha recebido uma mensagem do Zach ontem de noite, pouco depois de
ter voltado da casa da Tess, dizendo pra eu chegar mais cedo na escola no outro
dia, eu fiz um esforço imenso para conseguir, apesar de não ter conseguido
dormir direito. Depois de tanto tempo eu havia ouvido a Tess cantar de novo, e
isso realmente não seria nada, mas, involuntariamente, me deu uma sensação
familiar, já que esse era meu passatempo favorito quando mais novo, ouvi-la
cantar, também não me pergunte o porquê, eram coisas de criança eu acho. O
problema era que eu, como no passado, havia gostado de ouvi-la e, diferente do
passado, quando ela me pegava a encarando enquanto cantava, não desviei o olhar
e corei, apenas continuei a encarar. Foi então que me dei conta o quanto idiota
estava sendo. Ela era apenas a Tess, minha antiga amiga de infância. Estava
agindo como se ela fosse só uma das garotas da escola. Então tentei rapidamente
mudar de assunto, mostrando o urso que eu já havia visto desde que tinha
entrado no quarto, não deixando de ficar contente por ela o guarda ainda,
claro.
Quando finalmente pude dormir, depois de ficar ainda um tempo na
internet, foi como se não tivesse fechado os olhos nem por 10 minutos, mas
mesmo assim me arrumei logo e fui para o colégio com o carro que minha mãe
havia me dado quando tirei a carteira. Chegando lá, os meninos já estavam em
frente do banheiro feminino que ficava perto da biblioteca.
-O que vocês tão aprontando pra me fazer chegar à escola quase uma hora
adiantada?- Perguntei um pouco irritado pelo cansaço
-O Tyler teve uma ideia muito boa ontem!- Robert disse, com um sorriso esquisito.
-Ah é?! Qual ideia?- Perguntei
-Ta vendo isso aqui!- O Tyler me mostrou uma bexiga azul, que até o
momento não tinha reparado que estava nas mãos dele. Assenti e ele continuou-
Vamos colocar na porta do banheiro feminino, ai quando alguma das nerds que vem
cedo pra ficar fazendo pesquisa na biblioteca abrirem a porta vai cair todo o
material especial que preparei aqui dentro!- Ele falou, com um ar maquiavélico,
dei um sorriso de lado.
-Poderia saber que "material especial" é esse?- Quis saber
-Fermento, ovos, corante e coca-cola! Aposto que nenhuma dessas
retardadas levou isso na cabeça em alguma aniversario, vamos ta fazendo um fazer
pra vida social delas!- Ele falou e ouvi Rob e Zach rirem ao lado deles. Não
tava com paciência pra fazer uma coisa dessas, sem contar que seria um tanto
covarde, mas já que eu já estava ali, qual o problema?
-Vamos nessa!- Falei, colocando minha mochila encostada na parede e jogando
os meninos a prenderem a bexiga na porta, tomando cuidado pra que não caísse em
nós, sujando ainda um ao outro com o fermento que sujava o exterior da bexiga.
Depois pegamos as mochilas e fomos até a curva do corredor e ficamos de tocaia,
esperando a primeira garota aparecer, não demorou muito e lá veio, não poderia
ser melhor. Era Alyssa Shouse, uma garota alta com cabelos e olhos castanhos, a
excluída da nossa sala da qual todos zoavam quando estavam entediados, mas que
geralmente era invisível nas outras horas.
-Ótimo! Pelo menos agora posso me vingar de ter ficado com ela no
trabalho de artes!- Ouvi Zach comentar, apesar de ser uma frase sem sentido, já
que a culpa não era da garota. Ela foi em direção ao banheiro e vimos que um
grupo de garotas. Oh droga. O grupo de garotas da Elizabeth, minha
perseguidora numero um, estava logo atrás. Eu conhecia o estilo daquelas
garotas, quando vissem a Alyssa toda suja, ela seria a chacota delas por um bom
tempo. Deu dó dela, e até mesmo queria impedi-la de abrir a porta, mas eu nunca
faria isso. Era só uma brincadeira, de todo jeito. Vi que Alyssa olhou pra trás
e, vendo as meninas que geralmente a importunavam, andou mais rápido em direção
ao banheiro, abrindo a porta com tudo, e então vimos que nosso plano deu certo,
a bexiga caiu em cheio em cima dela, a sujando por completo. Eu e os meninos
começamos a rir como uns loucos, ouvindo que mais pessoas que estavam no
corredor faziam o mesmo. Logo depois concentrei meus olhos em Alyssa, para ver
sua reação. Ela ainda estava parada na porta do banheiro, mas dessa vez de
frente para o corredor, vermelha e com os olhos cheios de lágrimas prestes a
cair, assustada, indefesa, desprotegida. Foi então que seus olhos passaram por
todos do corredor até chegar onde estávamos olhando cada um de nós. Ela sabia
que éramos o culpado disso, qualquer um na escola conhecia nossa fama de, bem,
"arruaceiros". Ouvimos o grito da surpevisora ao fundo, dizendo que
iria chamar o diretor, então pegamos nossas mochilas e corremos pelo corredor,
os meninos ainda rindo.
-Vocês viram a cara dela?- Robert parecia que jamais pararia de rir
-Que imbecil, ainda ficou parada pra ser zoada por todo mundo, essa
mereceu!- Tyler falou, mas eu já não achava tanta graça assim, foi divertido na
hora, mas a garota parecia um daqueles animais de zoológico que ficam
assustados quando tem muita gente os vendo, querendo escapar de todos, mas sem
lugar pra correr. Zach ao meu lado ainda ria, mas ele era terrível fingindo
rir, estava na cara que estava achando tanta graça agora quanto eu. Dispersamos-nos
cada um pra sua sala, não precisávamos combinar, já sabíamos: Se fôssemos
pegos, nenhum entregaria o outro. Continuei correndo até a sala, esbarrando em
alguém enquanto tentava entrar na sala.
-Olha por onde anda!- Ouvi alguém reclamar as minhas costas. Eu nem
precisaria virar, já tinha certeza quem era. Tess. Não sei por que me virei,
apenas o fiz, como se algo me impulsionasse a olhar pra ela. Bufei. Eu estava
cada dia mais idiota. Primeiro sinto pena de uma excluída, depois fico com
necessidade de olhar outra. Sim, porque era isso que, no fundo, Tess era. Tão excluída
quanto Alyssa. A diferença era que andava com Alex, coisa que nem isso Alyssa
fazia. E olha que Alex anda com todo mundo. Eu tinha que parar com isso, acha
que pegar uma das lideres de torcidas na hora do intervalo vai melhorar meu
humor. Ótima ideia. Sentei em meu lugar e logo a aula de Inglês passou. Logo
depois começando a de Sociologia. Era com a mesma turma, só mudava a professora
então a esperávamos na mesma sala, o que era horrível já que nenhum dos meus
amigos fazia parte das aulas, o que me levava a ficar sozinho, ou tendo que
mandar embora as pessoas que pensam serem meus amigos íntimos. A professora
entrou na sala e mandou que as pessoas que estivessem em pé sentassem e assim
eles fizeram
-Hoje vamos fazer algo diferente! Vocês vão formar trios e iremos até a
sala da segunda série, iremos ajuda-los a procurar flores e plantas em geral no
jardim atrás da escola! - Todos começaram a formar seus trios, mas eu não
estava a fim de ir procurar algum que me agradece, esperei todos se formarem e
fiquei só- Austin, fique com a Victoria e a Tessalia já que elas estão em
dupla- Ela disse, vir-me-ei para ver as meninas, Vic estava com olhos
arregalados enquanto Tess fazia uma cara de incrédula com os comandos da
professora. Bufei mais uma vez naquela manhã, já era ruim ficar em um trio com
pessoas que eu não queria, pior ainda quando essas pessoas também não me
queriam!
-Vale nota?- Perguntei
-Vale!- A professora respondeu rigidamente- Vamos todos, em silêncio!
# Tess POV #
Nunca entendi porque professores mandam que alunos façam silêncio, é a
mesma coisa de mandar que façamos barulho. Mas não estava exatamente
concentrada nisso. Droga. Era o que me faltava, não bastava ficarmos juntos no
trabalho de artes, ainda ficamos juntos no de sociologia.
Andamos até o jardim que ficava atrás da escola. Chamamos de jardim
porque não chega a ser um bosque, mas tem árvores grandes e próximas, quase uma
floresta mesmo, mas não podíamos entrar lá sem o consentimento ou a permissão
dos professores. Chegamos lá e Austin ficou ao nosso lado, sem nada falar. Esperamos
e logo uma professora trazia as crianças das quais teríamos que cuidar, a
professora nos indicou duas crianças, Luiza e Tom, eu e Vic pegamos cada uma
pela mão enquanto Austin ficava com uma cara de imbecil, detestando aquele
trabalho.
-Tess, eu quero aquela flor lá de cima!- Falou Luiza, com sua voz
infantil, apontando pra uma flor lilás no topo de uma árvore. Tínhamos
percorrido boa parte do jardim e recolhido diversas plantas
-Austin, pega!- Eu disse séria
-O que? Ta me achando com cara de cachorro? "Austin, pega!"-
Ele tentou me imitar com uma voz fina e fazendo careta.
-Você não ta fazendo nada, pelo menos pega a flor pra garota!- Falei já
me irritando. Vic estava um pouco mais a frente com Tom. Ouvi-o bufar e foi até
a árvore, olhando para cima e vendo a altura da mesma.
-É alta NE?!...- Ele comentou e eu ri debochada
-O grande Austin Mahone com medo de altura?- Impliquei e o vi me olhar
com olhos irritados, não liguei já que quando éramos menores ele que implicava
comigo quando eu tinha medo de ir até mesmo a uma roda-gigante. Ele começou a
escalar a árvore, que nem era tão grande assim, parando em pé no galho mais
grosso abaixo do galho fino onde a flor estava. Ele sempre havia sido um bom
escalador. Ele puxou a flor umas três vezes, mas ela não saia- Acho melhor eu
pegar uma tesoura... - Antes que pudesse completar corretamente toda a frase,
vi ele puxar com toda a força a flor que acabou sendo arrancada, ele acabou
escorregando do galho que estava em pé e caiu da árvore em um baque surdo no
chão- AUSTIN!- Gritei preocupada, correndo até onde ele estava me agachando do
lado dele- Ai meu Deus! Austin! Austin!- Chamei por ele, o empurrando um pouco
com a mão, o vendo abrir milimetricamente os olhos- Você ta bem?- perguntei
aflita
-Eu acabei de cair de cima de uma árvore, claro, estou ótimo, Tess!- Ele
responder sarcástico e eu apenas bufei. Sim, ele estava ótimo!
-O que houve?- A professora chegou até nós
-O menino caiu de lá de cima!- Luiza respondeu apontando para a árvore,
a professora arregalou os olhos.
-Austin, você está bem? Não quebrou nada, não foi?- Ela veio pra perto
da gente, também se agachando.
-Não, eu to bem, só to com as costas doloridas- Ele tentou se levantar,
com dificuldade, com a ajuda da professora. Levantei-me e me afastei, não
queria dá uma de que me importava com ele.
-Tessalia, ajude o Austin a ir até a enfermaria- A professora disse e eu
fiz uma cara de incrédula, que ela repreendeu com um olhar. Bufei e fui pra
perto dele, que passou o braço pelos meus ombros para se apoiar, como fazia
pouco antes com a professora.
-Ei, Luiza!- Ele chamou a garotinha quando começamos a andar, ela olhou
pra nós- Sua flor!- Ele estendeu o braço que não estava nos meus ombros, na mão
dele estava a flor. Luiza sorriu e correu para pega-la.
-Obrigada!- Ela agradeceu sorridente e com os olhos brilhando, sendo retribuída
por um sorriso do Austin. Dei um sorriso de lado, até que foi um gesto fofo
vindo da parte dele.
-Nem pense em ficar me irritando sobre essa queda!- Ele falou irritado,
voltando a ser o Austin de sempre, quando chegamos dentro do colégio de novo.
-Acho que está me confundindo com você, não é o meu estilo ficar zoando
os outros, é o seu!- Falei debochada e esperei que ele retrucasse, mas ele
apenas ficou em silêncio, e assim fomos até a enfermaria, encontrando a enfermeira,
Penny, de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo bagunçado e olhos
castanhos claros, sempre com uma aparência de que estava resfriada, sentada em
sua mesa, quando a porta foi fechada as nossas costas ela nos encarou.
-O que aconteceu?- Ela se levantou e veio até o nosso lado
-Eu cai de uma árvore- Austin disse enquanto eu o ajudava a sentar na
maca
-Árvore?- A enfermeira arrumou os óculos que estavam sobre o nariz- Não
estavam no jardim sem permissão, não é?- Ela perguntou
-estávamos com a professora- Eu disse, me sentando em uma cadeira que
tinha ano lado de onde Austin estava.
-Ok... - Ela olhou para nós um tanto desconfiada- Preciso que tire a
camisa- Ela falou enquanto ia até o armário da pequena salinha pegar um spray
para amenizar a dor. Austin fez o que foi dito e eu, com muito sacrifício,
desviei os olhos dele para qualquer lugar da sala enquanto Penny colocava o
spray em suas costas. Eu sabia o que tinha por de baixo daquela camisa graças às
aulas de educação física que às vezes tínhamos na piscina, não precisava
encarar isso em um lugar tão fechado quanto o que estávamos. - Pode vestir a
blusa- Voltei a me virar olhando pra eles.- Vou pegar um analgésicos, só pra
que você não sinta tanta dor e possa assistir as outras aulas- Ela foi em direção
do mesmo armário. Olhei pro Austin e ele tinha o cenho franzido. Nunca gostou
de remédios, ou de enfermarias, hospitais e afins.
-Olha pelo lado positivo- Eu sussurrei pra ele, que me olhou- Pelo menos
não vai levar injeção!- Eu disse, logo depois tentando conter uma gargalhada
com a cara vermelha e irritada dele. Agulhas sempre foram os maiores medos
dele, de todos.
-Cala a boca!- Ele falou bravo, também sussurrando.
-Aqui está- A enfermeira deu pra ele um comprimido e um copo de água
-Obrigado- Austin respondeu depois de tomar o comprimido
-Já podem ir!- Ela disse e nos levantamos, eu tendo que ajudar o Austin,
colocando um dos braços dele mais uma vez nos meus ombros.
-O que te deu na cabeça pra ser tão descuidado, hein?!- Perguntei a ele
enquanto saiamos da enfermaria
-Eu que te pergunto: O que te deu na cabeça pra me pedir pra subir em
uma árvore pra pegar a merda de uma flor?- Ele falou bravo, olhando pra mim, eu
apenas revirei os olhos.
-Ok, Ok, foi mau ta?! Mas como eu ia saber que você seria retardado o
suficiente pra cair de lá de cima?- Perguntei irritada
-Oh, obrigado! Faz-me quase morrer e ainda me chama de retardado?- Falou
-Eu não te fiz quase morrer!- Retruquei, indignada
-Obvio que fez! Sabe de uma coisa, eu deveria te processar!- Falou como
se tivesse tido uma brilhante ideia
-Nenhum juiz teria coragem de ir contra uma jovem pobre e inocente como
eu! - Pisquei os olhos várias vezes, fazendo drama e ele começou a rir.
-Claro, claro, vão olhar pro seu cabelo e pensar: Que garotinha fofa,
nem um pouco revoltada da vida com esse cabelo vermelho fogo no...
-Epa!- o interrompi- Nada haver isso do cabelo, um zilhão de pessoas pinta
cabelo de vermelho!- Senti ele dá de ombros- E de qualquer jeito, eu só preciso
dá um sorriso mostrando minhas covinhas e, Puft, ele veria como eu sou fofa e
incente!- Comecei a rir e senti algo se encostando a minha bochecha. Arregalei
os olhos o máximo que pude. Acredite se quiser, mas Austin Mahone tinha,
inesperadamente, me dado um beijo na bochecha. Franzi o cenho e senti meu rosto
esquentar enquanto encarava-o, ele pareceu se der conta do que tinha feito e
também corou.
-Er... - Ele começou a pensar em algo pra falar. Meu Deus, como eu
estava com vergonha.
-Agente tem que parar de falar idiotices!- Falei e dei um riso nervoso,
que mais saiu como um grunhido- Er... Acho que você consegue ir até a sua
próxima aula sozinho, né?!- Falei nervosa
-Claro, eu... - Ele respondeu e parecia que ia falar mais, mas não
deixei
-Ótimo, tenho que ir- Tirei o braço dele do meu ombro rapidamente e
comecei a andar em direção ao banheiro feminino. Eu tinha que sair de perto
dele, urgentemente. Entrei no banheiro e me encostei-me à porta atrás de mim
assim que a fechei, olhei ao redor e, ainda bem, não parecia ter ninguém. Andei
até uma das pias e me olhei no espelho, eu ainda estava vermelha e minhas mãos
estavam geladas. O que deu no Austin em me beijar? Ele só pode está ficando
doido, é só pode ser isso, acho que quando caiu bateu a cabeça invés de as costas.
- Como eu odeio o Austin!- Falei comigo mesma enquanto respirava fundo, até que
me assustei ao ouvir um soluço de um dos reservados, depois outro, um pouco
mais baixo. Tinha alguém chorando. Aproximei-me de onde achei ter ouvido o som-
Oi, tem alguém ai?!- Perguntei enquanto batia duas vezes na porta do mesmo.
Silêncio. Logo depois outro soluço- Você ta passando mal? Se quiser eu posso
chamar a enfermeira aqui- Perguntei e depois ouvi o choro dela se intensificar.
-Me deixa em paz!- A ouvi gritar. Ok, ela não estava passando mal.
-Eu só estou querendo ajudar, ta legal? Deixa de ser imbecil!- Falei
irritada. Não estava com o mínimo bom-humor naquele momento. Ouvi o som de pés
tocando o chão e logo depois a tranca da porta foi aberta e de dentro saiu
Alyssa Shouse, e logo imaginei o que poderia ter acontecido ao vê-la coberta
por alguma mistura de fermento, ovos com casca e outras coisas. Espera
fermento?
"Austin, que estava correndo vindo do lado oposto ao nosso,
esbarrou na Vic quando entrou na sala apressado, ainda a sujando com um pó
branco que estava melado em sua blusa."
-D-Desculpe se fui mal educada- Ela falou com a cabeça baixa
-Tudo bem- Falei mais calma- O que foi que aconteceu?- Perguntei
-Não... Não foi nada- Ela fungou e levantou a cabeça, olhando para um
lado oposto ao nosso. Seus olhos estavam vermelhos e seu rosto inchado
-Você ta toda suja e chorando dentro de um banheiro, acho que foi alguma
coisa sim... - Eu disse de um modo divertido, mas foi ai que ela voltou a
derramar lágrimas e soluçar, colocando as mãos na frente do rosto- Ei, não
precisa chorar!- Falei tirando as mãos dela de frente do rosto e a puxando
pelas mesmas de volta a pia- Que tal você me contar o que aconteceu enquanto eu
tento dá um jeito no seu cabelo?- Ele está começando a feder. Pensei em
dizer, mas achei melhor não, não iria ajudar em nada, só a deixaria mais
triste. Ela balançou a cabeça afirmativamente e eu a inclinei em direção a pia,
começando a lava-lo.
-Hoje, antes das aulas começarem, eu estava indo até o banheiro próximo
a biblioteca, quando vi a turma da Elizabeth, então fui mais rápido para vê se
elas não acabavam me alcançando, você sabe, as pessoas como ela, ou qualquer
outra nessa escola não parece ser do tipo que gostam de pessoas como eu- Ouvi-a
fungar de novo. Pensei em dizer que também não gostavam de pessoas como eu, mas
no meu caso, eu ainda tinha a Vic e o Alex, eu sabia que a Alyssa não tinha
ninguém- Quando eu abri a porta do banheiro- Ela voltou a falar- Só senti algo
caindo em cima de mim e estourando, depois que percebi que era uma bexiga cheia
de... Cheia disso que ta em mim. Todos no corredor começaram a rir, apontando
pra mim e falando coisas horríveis- Senti ela se encolher, provavelmente
relembrando a cena.
-Você acha que foi a Danielle e sua ganguezinha?- Perguntei com nojo.
Elas sempre foram baixas, cruéis, mas fazer algo tão ruim assim, humilhar a
Alyssa, que nunca entrou no caminho de ninguém, dessa forma, era baixo demais!
-Por um momento achei que sim, mas não acho. Elas estavam atrás de mim e
quando olhei para a esquina do corredor, vi a turminha do Austin escondida lá-
Ela voltou a chorar- Rindo de mim como se eu fosse só mais um palhaço em um
circo- Ela continuou, chorando mais forte, mas eu não a ouvi. Austin! Não
acredito nisso! Por isso ele estava sujo! Não acredito que ele pode ser tão
idiota ao ponto de fazer uma coisa tão estúpida quanto essa. Era cruel!
-Não posso acreditar!- Falei em um sussurro enquanto Alyssa ainda tremia
um pouco por conta do choro. Peguei uma toalha de rosto que estava pendurada e
comecei a enxugar o cabelo dela com pressa- Pronto, agora vem!- Puxei ela pela
manga da grande e larga blusa que ela usava
-Pra onde estamos indo?- Ela perguntou quando saímos do banheiro
-Vamos bolar um plano para acabar com o Austin, ele vai pagar pelo o que
te fez!
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