26 de dezembro de 2013

Capítulo 7 - Austin, um menino bom, ou não?

Austin, um menino bom, ou não?
Fanfic / Fanfiction de Ariana Grande - Put Your Hearts Up. - Capítulo 7 - Austin, um menino bom, ou não?

# Tess POV #
Entrei no ônibus sem a mínima animação, estava cansada pela noite mal dormida, em que os momentos do ensaio de ontem irritantemente rondavam minha mente. Tinha raiva por deixar que coisas estúpidas como essa tirassem meu sono, sendo que o Austin provavelmente nem se lembrava mais de acontecimento nenhum.
Procurei Vic com os olhos pelos assentos e então a vi, em um assento no meio do ônibus, com os olhos grudados na tela do celular, fui até ela e me sentei ao seu lado:
-Muito trabalho com o blog?- Perguntei enquanto colocava minha mochila sobre as pernas
-Mais que nunca!- Respondeu, desviando os olhos do celular pra mim por poucos segundos, depois voltando a sua "missão"- Chegou um caso novo ontem de noite de um garoto... É difícil meninos procurarem essas coisas- Ela comentou
-Qual o nome?- Perguntei ocasionalmente, sem realmente interesse no nome, apenas por que queria conversar, se não acabaria cochilando.
-Não sei ao certo, 99% das pessoas que falam comigo ou usam pseudonome ou em anônimo- Falou sem prestar muita atenção, ela se dedicava muito ao seu "trabalho"- Esse usou A&C pra se identificar... - Disse
-E o que ele queria?- Continuei o assunto
-Foi esquisito... Mas fofo, poderia dizer- Prestei mais atenção, gostava das historias que ela me contava, eram de românticas até extremamente engraçadas, mas antes que ela pudesse começar, o ônibus parou em frente ao colégio- Outra hora eu te conto- Ela disse, enquanto nos levantávamos para descer. Passando pelos jardins do lugar, já podíamos ver mais a frente, encostadas no corrimão dos degraus de entrada, Elizabeth e suas amigas, ou deveria dizer, seu cardume de piranhas.
Deixa-me explicar, Elizabeth Gillies era uma garota alta, com cabelos pretos ondulados, pele clara e olhos azuis, quase cinzas, que diferente do que é comum nas escolas, não é líder de torcida ou afins, ela era conhecida por ser a presidente do clube acadêmico, metidinha a esperta, que se sentia superior a todos, ainda mais depois que o pai virou senador. Ela era fria e dificilmente sorria, tinha um jeito gótico, parecia que sempre estava planejando algo para ferir alguém, a única coisa, alias, a única pessoa, que a tirava do controle e claramente mexia com ela era nada mais, nada menos, que a paixão platônica oficial das garotas da escola. Austin Mahone. Ela sempre fazia de tudo para agradar ele, desde usar roupas que custavam mais que a mensalidade da escola até fazer trabalhos e deveres de casa para ele, às vezes chegava a dar vergonha à obsessão dela por ele, da qual ele geralmente aproveitava. E talvez tenha ficado pior depois das férias de verão do ano passado, quando eles começaram a namorar, depois que Austin sofreu pressão por parte dos garotos do time dele para que a pedisse em namoro, para que Elizabeth convencesse o pai a fazer uma quadra profissional perto da escola pra que eles pudessem chamar times de outros lugares para competir. Depois de a verba ter sido liberada, ele começou a evitá-la e logo terminou com ela, alegando que tinha que se concentrar nos jogos que logo começariam, ela acreditou que eles voltariam logo e espera até hoje, ninguém contou a ela essa verdadeira historia, poucos sabiam na verdade, eu, por exemplo, só soube graças à boca grande do Alex.
Eu e Vic passamos por ela e, como ela sempre fazia com todas as pessoas, nos olhou de cima a baixo com um olhar reprovador, como se o que estivéssemos usando não passassem de trapos. Ignoramos e continuamos a entrar na escola, ambas teríamos aula de inglês agora, então fomos até a sala. Quando estávamos entrando, Austin, que estava correndo vindo do lado oposto ao nosso, esbarrou na Vic quando entrou na sala apressado, ainda a sujando com um pó branco que estava melado em sua blusa. Fermento?
-Olha por onde anda!- A defendi e só o vi virar-se pra mim e bufar, ele parecia não ter nem sequer percebido que esbarrara em Vic, claro, ele era o todo poderoso Austin Mahone, ninguém era mais importante que ele próprio. Não sabia por que estava com raiva dele, apenas estava, como sempre, acho que não precisava de motivo especifico, mesmo não sendo comigo, ele sempre estava aprontando alguma para alguém como se fosse o maioral, e dava raiva que todos aqui realmente o tratassem como se fosse o centro do universo. Sentei na carteira atrás da Vic e a vi finalmente guardar o celular quando a professora chegou
# Austin POV #
Eu tinha recebido uma mensagem do Zach ontem de noite, pouco depois de ter voltado da casa da Tess, dizendo pra eu chegar mais cedo na escola no outro dia, eu fiz um esforço imenso para conseguir, apesar de não ter conseguido dormir direito. Depois de tanto tempo eu havia ouvido a Tess cantar de novo, e isso realmente não seria nada, mas, involuntariamente, me deu uma sensação familiar, já que esse era meu passatempo favorito quando mais novo, ouvi-la cantar, também não me pergunte o porquê, eram coisas de criança eu acho. O problema era que eu, como no passado, havia gostado de ouvi-la e, diferente do passado, quando ela me pegava a encarando enquanto cantava, não desviei o olhar e corei, apenas continuei a encarar. Foi então que me dei conta o quanto idiota estava sendo. Ela era apenas a Tess, minha antiga amiga de infância. Estava agindo como se ela fosse só uma das garotas da escola. Então tentei rapidamente mudar de assunto, mostrando o urso que eu já havia visto desde que tinha entrado no quarto, não deixando de ficar contente por ela o guarda ainda, claro.
Quando finalmente pude dormir, depois de ficar ainda um tempo na internet, foi como se não tivesse fechado os olhos nem por 10 minutos, mas mesmo assim me arrumei logo e fui para o colégio com o carro que minha mãe havia me dado quando tirei a carteira. Chegando lá, os meninos já estavam em frente do banheiro feminino que ficava perto da biblioteca.
-O que vocês tão aprontando pra me fazer chegar à escola quase uma hora adiantada?- Perguntei um pouco irritado pelo cansaço
-O Tyler teve uma ideia muito boa ontem!- Robert disse, com um sorriso esquisito.
-Ah é?! Qual ideia?- Perguntei
-Ta vendo isso aqui!- O Tyler me mostrou uma bexiga azul, que até o momento não tinha reparado que estava nas mãos dele. Assenti e ele continuou- Vamos colocar na porta do banheiro feminino, ai quando alguma das nerds que vem cedo pra ficar fazendo pesquisa na biblioteca abrirem a porta vai cair todo o material especial que preparei aqui dentro!- Ele falou, com um ar maquiavélico, dei um sorriso de lado.
-Poderia saber que "material especial" é esse?- Quis saber
-Fermento, ovos, corante e coca-cola! Aposto que nenhuma dessas retardadas levou isso na cabeça em alguma aniversario, vamos ta fazendo um fazer pra vida social delas!- Ele falou e ouvi Rob e Zach rirem ao lado deles. Não tava com paciência pra fazer uma coisa dessas, sem contar que seria um tanto covarde, mas já que eu já estava ali, qual o problema?
-Vamos nessa!- Falei, colocando minha mochila encostada na parede e jogando os meninos a prenderem a bexiga na porta, tomando cuidado pra que não caísse em nós, sujando ainda um ao outro com o fermento que sujava o exterior da bexiga. Depois pegamos as mochilas e fomos até a curva do corredor e ficamos de tocaia, esperando a primeira garota aparecer, não demorou muito e lá veio, não poderia ser melhor. Era Alyssa Shouse, uma garota alta com cabelos e olhos castanhos, a excluída da nossa sala da qual todos zoavam quando estavam entediados, mas que geralmente era invisível nas outras horas.
-Ótimo! Pelo menos agora posso me vingar de ter ficado com ela no trabalho de artes!- Ouvi Zach comentar, apesar de ser uma frase sem sentido, já que a culpa não era da garota. Ela foi em direção ao banheiro e vimos que um grupo de garotas. Oh droga. O grupo de garotas da Elizabeth, minha perseguidora numero um, estava logo atrás. Eu conhecia o estilo daquelas garotas, quando vissem a Alyssa toda suja, ela seria a chacota delas por um bom tempo. Deu dó dela, e até mesmo queria impedi-la de abrir a porta, mas eu nunca faria isso. Era só uma brincadeira, de todo jeito. Vi que Alyssa olhou pra trás e, vendo as meninas que geralmente a importunavam, andou mais rápido em direção ao banheiro, abrindo a porta com tudo, e então vimos que nosso plano deu certo, a bexiga caiu em cheio em cima dela, a sujando por completo. Eu e os meninos começamos a rir como uns loucos, ouvindo que mais pessoas que estavam no corredor faziam o mesmo. Logo depois concentrei meus olhos em Alyssa, para ver sua reação. Ela ainda estava parada na porta do banheiro, mas dessa vez de frente para o corredor, vermelha e com os olhos cheios de lágrimas prestes a cair, assustada, indefesa, desprotegida. Foi então que seus olhos passaram por todos do corredor até chegar onde estávamos olhando cada um de nós. Ela sabia que éramos o culpado disso, qualquer um na escola conhecia nossa fama de, bem, "arruaceiros". Ouvimos o grito da surpevisora ao fundo, dizendo que iria chamar o diretor, então pegamos nossas mochilas e corremos pelo corredor, os meninos ainda rindo.
-Vocês viram a cara dela?- Robert parecia que jamais pararia de rir
-Que imbecil, ainda ficou parada pra ser zoada por todo mundo, essa mereceu!- Tyler falou, mas eu já não achava tanta graça assim, foi divertido na hora, mas a garota parecia um daqueles animais de zoológico que ficam assustados quando tem muita gente os vendo, querendo escapar de todos, mas sem lugar pra correr. Zach ao meu lado ainda ria, mas ele era terrível fingindo rir, estava na cara que estava achando tanta graça agora quanto eu. Dispersamos-nos cada um pra sua sala, não precisávamos combinar, já sabíamos: Se fôssemos pegos, nenhum entregaria o outro. Continuei correndo até a sala, esbarrando em alguém enquanto tentava entrar na sala.
-Olha por onde anda!- Ouvi alguém reclamar as minhas costas. Eu nem precisaria virar, já tinha certeza quem era. Tess. Não sei por que me virei, apenas o fiz, como se algo me impulsionasse a olhar pra ela. Bufei. Eu estava cada dia mais idiota. Primeiro sinto pena de uma excluída, depois fico com necessidade de olhar outra. Sim, porque era isso que, no fundo, Tess era. Tão excluída quanto Alyssa. A diferença era que andava com Alex, coisa que nem isso Alyssa fazia. E olha que Alex anda com todo mundo. Eu tinha que parar com isso, acha que pegar uma das lideres de torcidas na hora do intervalo vai melhorar meu humor. Ótima ideia. Sentei em meu lugar e logo a aula de Inglês passou. Logo depois começando a de Sociologia. Era com a mesma turma, só mudava a professora então a esperávamos na mesma sala, o que era horrível já que nenhum dos meus amigos fazia parte das aulas, o que me levava a ficar sozinho, ou tendo que mandar embora as pessoas que pensam serem meus amigos íntimos. A professora entrou na sala e mandou que as pessoas que estivessem em pé sentassem e assim eles fizeram
-Hoje vamos fazer algo diferente! Vocês vão formar trios e iremos até a sala da segunda série, iremos ajuda-los a procurar flores e plantas em geral no jardim atrás da escola! - Todos começaram a formar seus trios, mas eu não estava a fim de ir procurar algum que me agradece, esperei todos se formarem e fiquei só- Austin, fique com a Victoria e a Tessalia já que elas estão em dupla- Ela disse, vir-me-ei para ver as meninas, Vic estava com olhos arregalados enquanto Tess fazia uma cara de incrédula com os comandos da professora. Bufei mais uma vez naquela manhã, já era ruim ficar em um trio com pessoas que eu não queria, pior ainda quando essas pessoas também não me queriam!
-Vale nota?- Perguntei
-Vale!- A professora respondeu rigidamente- Vamos todos, em silêncio!
# Tess POV #
Nunca entendi porque professores mandam que alunos façam silêncio, é a mesma coisa de mandar que façamos barulho. Mas não estava exatamente concentrada nisso. Droga. Era o que me faltava, não bastava ficarmos juntos no trabalho de artes, ainda ficamos juntos no de sociologia.
Andamos até o jardim que ficava atrás da escola. Chamamos de jardim porque não chega a ser um bosque, mas tem árvores grandes e próximas, quase uma floresta mesmo, mas não podíamos entrar lá sem o consentimento ou a permissão dos professores. Chegamos lá e Austin ficou ao nosso lado, sem nada falar. Esperamos e logo uma professora trazia as crianças das quais teríamos que cuidar, a professora nos indicou duas crianças, Luiza e Tom, eu e Vic pegamos cada uma pela mão enquanto Austin ficava com uma cara de imbecil, detestando aquele trabalho.
-Tess, eu quero aquela flor lá de cima!- Falou Luiza, com sua voz infantil, apontando pra uma flor lilás no topo de uma árvore. Tínhamos percorrido boa parte do jardim e recolhido diversas plantas
-Austin, pega!- Eu disse séria
-O que? Ta me achando com cara de cachorro? "Austin, pega!"- Ele tentou me imitar com uma voz fina e fazendo careta.
-Você não ta fazendo nada, pelo menos pega a flor pra garota!- Falei já me irritando. Vic estava um pouco mais a frente com Tom. Ouvi-o bufar e foi até a árvore, olhando para cima e vendo a altura da mesma.
-É alta NE?!...- Ele comentou e eu ri debochada
-O grande Austin Mahone com medo de altura?- Impliquei e o vi me olhar com olhos irritados, não liguei já que quando éramos menores ele que implicava comigo quando eu tinha medo de ir até mesmo a uma roda-gigante. Ele começou a escalar a árvore, que nem era tão grande assim, parando em pé no galho mais grosso abaixo do galho fino onde a flor estava. Ele sempre havia sido um bom escalador. Ele puxou a flor umas três vezes, mas ela não saia- Acho melhor eu pegar uma tesoura... - Antes que pudesse completar corretamente toda a frase, vi ele puxar com toda a força a flor que acabou sendo arrancada, ele acabou escorregando do galho que estava em pé e caiu da árvore em um baque surdo no chão- AUSTIN!- Gritei preocupada, correndo até onde ele estava me agachando do lado dele- Ai meu Deus! Austin! Austin!- Chamei por ele, o empurrando um pouco com a mão, o vendo abrir milimetricamente os olhos- Você ta bem?- perguntei aflita
-Eu acabei de cair de cima de uma árvore, claro, estou ótimo, Tess!- Ele responder sarcástico e eu apenas bufei. Sim, ele estava ótimo!
-O que houve?- A professora chegou até nós
-O menino caiu de lá de cima!- Luiza respondeu apontando para a árvore, a professora arregalou os olhos.
-Austin, você está bem? Não quebrou nada, não foi?- Ela veio pra perto da gente, também se agachando.
-Não, eu to bem, só to com as costas doloridas- Ele tentou se levantar, com dificuldade, com a ajuda da professora. Levantei-me e me afastei, não queria dá uma de que me importava com ele.
-Tessalia, ajude o Austin a ir até a enfermaria- A professora disse e eu fiz uma cara de incrédula, que ela repreendeu com um olhar. Bufei e fui pra perto dele, que passou o braço pelos meus ombros para se apoiar, como fazia pouco antes com a professora.
-Ei, Luiza!- Ele chamou a garotinha quando começamos a andar, ela olhou pra nós- Sua flor!- Ele estendeu o braço que não estava nos meus ombros, na mão dele estava a flor. Luiza sorriu e correu para pega-la.
-Obrigada!- Ela agradeceu sorridente e com os olhos brilhando, sendo retribuída por um sorriso do Austin. Dei um sorriso de lado, até que foi um gesto fofo vindo da parte dele.
-Nem pense em ficar me irritando sobre essa queda!- Ele falou irritado, voltando a ser o Austin de sempre, quando chegamos dentro do colégio de novo.
-Acho que está me confundindo com você, não é o meu estilo ficar zoando os outros, é o seu!- Falei debochada e esperei que ele retrucasse, mas ele apenas ficou em silêncio, e assim fomos até a enfermaria, encontrando a enfermeira, Penny, de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo bagunçado e olhos castanhos claros, sempre com uma aparência de que estava resfriada, sentada em sua mesa, quando a porta foi fechada as nossas costas ela nos encarou.
-O que aconteceu?- Ela se levantou e veio até o nosso lado
-Eu cai de uma árvore- Austin disse enquanto eu o ajudava a sentar na maca
-Árvore?- A enfermeira arrumou os óculos que estavam sobre o nariz- Não estavam no jardim sem permissão, não é?- Ela perguntou
-estávamos com a professora- Eu disse, me sentando em uma cadeira que tinha ano lado de onde Austin estava.
-Ok... - Ela olhou para nós um tanto desconfiada- Preciso que tire a camisa- Ela falou enquanto ia até o armário da pequena salinha pegar um spray para amenizar a dor. Austin fez o que foi dito e eu, com muito sacrifício, desviei os olhos dele para qualquer lugar da sala enquanto Penny colocava o spray em suas costas. Eu sabia o que tinha por de baixo daquela camisa graças às aulas de educação física que às vezes tínhamos na piscina, não precisava encarar isso em um lugar tão fechado quanto o que estávamos. - Pode vestir a blusa- Voltei a me virar olhando pra eles.- Vou pegar um analgésicos, só pra que você não sinta tanta dor e possa assistir as outras aulas- Ela foi em direção do mesmo armário. Olhei pro Austin e ele tinha o cenho franzido. Nunca gostou de remédios, ou de enfermarias, hospitais e afins.
-Olha pelo lado positivo- Eu sussurrei pra ele, que me olhou- Pelo menos não vai levar injeção!- Eu disse, logo depois tentando conter uma gargalhada com a cara vermelha e irritada dele. Agulhas sempre foram os maiores medos dele, de todos.
-Cala a boca!- Ele falou bravo, também sussurrando.
-Aqui está- A enfermeira deu pra ele um comprimido e um copo de água
-Obrigado- Austin respondeu depois de tomar o comprimido
-Já podem ir!- Ela disse e nos levantamos, eu tendo que ajudar o Austin, colocando um dos braços dele mais uma vez nos meus ombros.
-O que te deu na cabeça pra ser tão descuidado, hein?!- Perguntei a ele enquanto saiamos da enfermaria
-Eu que te pergunto: O que te deu na cabeça pra me pedir pra subir em uma árvore pra pegar a merda de uma flor?- Ele falou bravo, olhando pra mim, eu apenas revirei os olhos.
-Ok, Ok, foi mau ta?! Mas como eu ia saber que você seria retardado o suficiente pra cair de lá de cima?- Perguntei irritada
-Oh, obrigado! Faz-me quase morrer e ainda me chama de retardado?- Falou
-Eu não te fiz quase morrer!- Retruquei, indignada
-Obvio que fez! Sabe de uma coisa, eu deveria te processar!- Falou como se tivesse tido uma brilhante ideia
-Nenhum juiz teria coragem de ir contra uma jovem pobre e inocente como eu! - Pisquei os olhos várias vezes, fazendo drama e ele começou a rir.
-Claro, claro, vão olhar pro seu cabelo e pensar: Que garotinha fofa, nem um pouco revoltada da vida com esse cabelo vermelho fogo no...
-Epa!- o interrompi- Nada haver isso do cabelo, um zilhão de pessoas pinta cabelo de vermelho!- Senti ele dá de ombros- E de qualquer jeito, eu só preciso dá um sorriso mostrando minhas covinhas e, Puft, ele veria como eu sou fofa e incente!- Comecei a rir e senti algo se encostando a minha bochecha. Arregalei os olhos o máximo que pude. Acredite se quiser, mas Austin Mahone tinha, inesperadamente, me dado um beijo na bochecha. Franzi o cenho e senti meu rosto esquentar enquanto encarava-o, ele pareceu se der conta do que tinha feito e também corou.
-Er... - Ele começou a pensar em algo pra falar. Meu Deus, como eu estava com vergonha.
-Agente tem que parar de falar idiotices!- Falei e dei um riso nervoso, que mais saiu como um grunhido- Er... Acho que você consegue ir até a sua próxima aula sozinho, né?!- Falei nervosa
-Claro, eu... - Ele respondeu e parecia que ia falar mais, mas não deixei
-Ótimo, tenho que ir- Tirei o braço dele do meu ombro rapidamente e comecei a andar em direção ao banheiro feminino. Eu tinha que sair de perto dele, urgentemente. Entrei no banheiro e me encostei-me à porta atrás de mim assim que a fechei, olhei ao redor e, ainda bem, não parecia ter ninguém. Andei até uma das pias e me olhei no espelho, eu ainda estava vermelha e minhas mãos estavam geladas. O que deu no Austin em me beijar? Ele só pode está ficando doido, é só pode ser isso, acho que quando caiu bateu a cabeça invés de as costas. - Como eu odeio o Austin!- Falei comigo mesma enquanto respirava fundo, até que me assustei ao ouvir um soluço de um dos reservados, depois outro, um pouco mais baixo. Tinha alguém chorando. Aproximei-me de onde achei ter ouvido o som- Oi, tem alguém ai?!- Perguntei enquanto batia duas vezes na porta do mesmo. Silêncio. Logo depois outro soluço- Você ta passando mal? Se quiser eu posso chamar a enfermeira aqui- Perguntei e depois ouvi o choro dela se intensificar.
-Me deixa em paz!- A ouvi gritar. Ok, ela não estava passando mal.
-Eu só estou querendo ajudar, ta legal? Deixa de ser imbecil!- Falei irritada. Não estava com o mínimo bom-humor naquele momento. Ouvi o som de pés tocando o chão e logo depois a tranca da porta foi aberta e de dentro saiu Alyssa Shouse, e logo imaginei o que poderia ter acontecido ao vê-la coberta por alguma mistura de fermento, ovos com casca e outras coisas. Espera fermento?
"Austin, que estava correndo vindo do lado oposto ao nosso, esbarrou na Vic quando entrou na sala apressado, ainda a sujando com um pó branco que estava melado em sua blusa."
-D-Desculpe se fui mal educada- Ela falou com a cabeça baixa
-Tudo bem- Falei mais calma- O que foi que aconteceu?- Perguntei
-Não... Não foi nada- Ela fungou e levantou a cabeça, olhando para um lado oposto ao nosso. Seus olhos estavam vermelhos e seu rosto inchado
-Você ta toda suja e chorando dentro de um banheiro, acho que foi alguma coisa sim... - Eu disse de um modo divertido, mas foi ai que ela voltou a derramar lágrimas e soluçar, colocando as mãos na frente do rosto- Ei, não precisa chorar!- Falei tirando as mãos dela de frente do rosto e a puxando pelas mesmas de volta a pia- Que tal você me contar o que aconteceu enquanto eu tento dá um jeito no seu cabelo?- Ele está começando a feder. Pensei em dizer, mas achei melhor não, não iria ajudar em nada, só a deixaria mais triste. Ela balançou a cabeça afirmativamente e eu a inclinei em direção a pia, começando a lava-lo.
-Hoje, antes das aulas começarem, eu estava indo até o banheiro próximo a biblioteca, quando vi a turma da Elizabeth, então fui mais rápido para vê se elas não acabavam me alcançando, você sabe, as pessoas como ela, ou qualquer outra nessa escola não parece ser do tipo que gostam de pessoas como eu- Ouvi-a fungar de novo. Pensei em dizer que também não gostavam de pessoas como eu, mas no meu caso, eu ainda tinha a Vic e o Alex, eu sabia que a Alyssa não tinha ninguém- Quando eu abri a porta do banheiro- Ela voltou a falar- Só senti algo caindo em cima de mim e estourando, depois que percebi que era uma bexiga cheia de... Cheia disso que ta em mim. Todos no corredor começaram a rir, apontando pra mim e falando coisas horríveis- Senti ela se encolher, provavelmente relembrando a cena.
-Você acha que foi a Danielle e sua ganguezinha?- Perguntei com nojo. Elas sempre foram baixas, cruéis, mas fazer algo tão ruim assim, humilhar a Alyssa, que nunca entrou no caminho de ninguém, dessa forma, era baixo demais!
-Por um momento achei que sim, mas não acho. Elas estavam atrás de mim e quando olhei para a esquina do corredor, vi a turminha do Austin escondida lá- Ela voltou a chorar- Rindo de mim como se eu fosse só mais um palhaço em um circo- Ela continuou, chorando mais forte, mas eu não a ouvi. Austin! Não acredito nisso! Por isso ele estava sujo! Não acredito que ele pode ser tão idiota ao ponto de fazer uma coisa tão estúpida quanto essa. Era cruel!
-Não posso acreditar!- Falei em um sussurro enquanto Alyssa ainda tremia um pouco por conta do choro. Peguei uma toalha de rosto que estava pendurada e comecei a enxugar o cabelo dela com pressa- Pronto, agora vem!- Puxei ela pela manga da grande e larga blusa que ela usava
-Pra onde estamos indo?- Ela perguntou quando saímos do banheiro
-Vamos bolar um plano para acabar com o Austin, ele vai pagar pelo o que te fez!

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